Mostrar mensagens com a etiqueta Sou um monte de dúvidas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sou um monte de dúvidas. Mostrar todas as mensagens

Eterno instante



Toda uma vida pode mudar num instante. E cabem muitos instantes em cada dia da vida.

Quantos anos, meses, semanas ou dias cabem numa eternidade? Para onde levamos o momento, o segundo, o repente que se sente eterno? E como se mede essa pequena-grande eternidade? Pelo que dura, ou pelo tempo que perdura depois de já não ser?

Promessas, planos e projecções, todos construídos na base de uma frágil linha de tempo que realmente não sabemos existir. Que pensamos não ter fim, num momento, e às vezes acaba logo ali.

Queria saber quanto de mim cabe na tua eternidade. Quanto de ti em momentos caminhará comigo eternamente. Quanto durará esse eterno em cliques de segundos, enquanto é, depois de já não ser.

Que prazo terás para mim e que limites que não vemos tornam finita a linha do tempo que projectamos indefinida, para lá do horizonte visível do eterno instante?

Será?...



Grande Vinicius de Moraes... Cada coisa que escreveu, com mais alegria ou tristeza, com mais humor ou mais seriedade, é sempre uma perfeita maravilha, e melhora com voz. Por acaso esta versão consta do CD que comprei acidentalmente e com que o descobri. Uma descoberta fatídica, mas ainda assim, uma grande descoberta.

Mas agora, àparte o humor, e numa perspectiva feminina, leio e oiço cada frase de uma forma diferente. E fico a pensar... será?... Abaixo o texto original, que ele não segue exactamente na versão declamada do vídeo.

"Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor."

Mais do Tempo



E pronto, é isso. Ainda não sei se é Príncipe, mas é, definitivamente, uma espécie de sapo diferente. E assim são, sem sombra de dúvidas, tempos diferentes, e o tempo a correr de forma diferente.

Isso continua a ser a minha angústia, a minha dúvida, porque as vidas que levamos nos obrigam a uma certa distância. Por causa da minha “vertente mãe”, com disponibilidade mais reduzida e horários mais limitados em semanas alternadas. E por ele, os compromissos profissionais, viagens pré-marcadas, etc. Azar, é que têm calhado muitas dessas coisas nos dias da minha “vertente mulher”.

Ou seja, a gestão dos nossos dois tempos traduziu-se em poucas horas partilhadas presencialmente, e quase todas concentradas na mesma semana. Ele aponta que houve coincidências azaradas. Promete-me que não costuma ter a vida assim tão ocupada, e reiteira que se vai “organizar melhor”. Tenta compensar com SMS’s e telefonemas, espalhados ao longo do dia, e ainda não falhou um bom dia. Almoçamos sempre que possível e até já virou a vida do avesso por uns minutos só para me dar um abraço. Há que dar-lhe crédito, ainda por cima porque eu não cobro.

Mas isto para mim é tortuoso. É assim um limbo. Mas afinal eu tenho namorado, ou não tenho? Partilha? Partilho? Como é isso de ter um namorado e estar sozinha?... É quase um namoro à distância.

É difícil, e demasiado perigoso, sobretudo numa fase tão inicial em que se quer tempo e espaço ocupados pelo outro, progressivamente, mas a ganhar balanço e não com interrupções abruptas que nos param a meio o mergulhar da descoberta e da entrega. É que nos espaços vazios de entretanto, crescem outras coisas. Dizia-me alguém que tudo seria melhor se o incluísse mais na minha vida. É verdade, mas isso pressupõe apresentá-lo ao meu filho, algo que acho ainda muito cedo para equacionar. E depois, isso é um caminho que também é preciso que ele queira fazer. E na realidade, não consigo perceber isso com SMS’s, telefonemas e Messenger. Há coisas que só serão claras com o passar do tempo e, sobretudo, com o passar do tempo juntos.

O futuro é sempre uma incógnita. A vida está cheia de surpresas, e eu que o diga, que tenho tido uma catadupa delas nos últimos tempos. Mas é complicado viver quase permanentemente na dúvida, e viver quase sempre num futuro projectado que se torna presente esporadicamente, e que voa demasiado depressa.

Dúvidas



Uma boa garrafa de vinho depois, uma conversa de duas amigas que não se encontravam há muito tempo leva a conclusões surpreendentes. É uma amiga daquelas que, por mais que passem os anos e nos afastemos fisicamente, cada uma a seguir o seu caminho, por mais namorados e separações, casamentos e divórcios, por mais encontros falhados, quando nos reencontramos é como se nos tivessemos visto ontem. Fomos melhores amigas nos últimos três anos de liceu, e o que cimentamos nesses anos é tão forte que sobrevive a nós próprias, nas nossas individuais transmutações.

Recuperamos num instante os pedaços de vida uma da outra que não couberam nos emails, e ao fim de uma hora já acabamos as frases pela outra. Foi óptimo. Soube-me mesmo bem. E se tivesse mais vinho em casa, teria ido bem para lá das 3 e meia da manhã. Mas no fim, depois de ouvir o meu relato sobre a história do que vivi, e do que não vivi, com o homem por quem me apaixonei tontamente, pergunta-me simplesmente, com ar incrédulo: “E tu achas mesmo que isso não tem volta?!”

E lá fico, a abanar a cabeça que não, não tem, e o coração ligeiramente embriagado a encher-se de coragem para me fazer ouvir por dentro “terá?”... Mas agora estou sóbria e dou por mim a pensar nisto e a ter que escrever este post.

Integridade


Começo a ficar paranóica sobre a reserva de identidade no blog. Sei que tenho aqui a minha vida quase toda e tanto sobre mim que pouco mais falta do que o meu nome, morada e número de telefone. Só partilhei a existência do blogue com 4 pessoas, as 4 pessoas que não tenho dúvida de que são mesmo minhas amigas, e sei que apenas duas delas realmente o lêem e acompanham. Muitas outras pessoas com quem me relaciono sabem da sua existência, mas não sabem como encontrá-lo. E não quero que o encontrem, porque não me sinto confortável com tamanha exposição.

Por isso, fiquei perplexa quando, há uns meses, um amigo que vejo de vez em quando passou um jantar a fazer conversa à volta do tema “Princesa”. Na altura ocorreu-me que pudesse ter descoberto o blog, mas depois descartei a ideia. Mais recentemente, fui jantar a casa dele na altura em que publiquei um texto entitulado “Agridoce” e que me dá ele ao jantar? Um prato de peixe com ananás bem condimentado. Pergunta se está bom, eu respondo que é... original, mas sim, está bom, e ele faz uma piada sobre aquilo ser... agridoce.

Coincidências, pensei. Não é pessoa de andar pelos blogs, e que interesse poderia ter no meu? Além de que, se o descobrisse, ou me dizia, ou ficava bem calado para eu não perceber. É lógico, não? Mas agora, dá-me de presente de anos um CD. “Chill&Tango”...

Não sei se estou paranóica, mas é muita coincidência. Por isso não sei se essa pessoa vai ler isto, mas se lêr, é para que saiba que não gosto. Apesar de isto ser um espaço público, este também é um espaço de introspeção e intimidade, que por isso protejo com um nick. Se essa pessoa sabe que sou eu, peço-lhe que respeite por favor a minha privacidade, e não insulte a minha inteligência. Se fosse a situação inversa, talvez contasse que tinha descoberto o blogue, ou talvez simplesmente reservasse isso para mim, por respeito e para não causar constrangimentos. Mas não leria mais o blogue e certamente não o iria usar para fazer piadinhas desconfortáveis. Não é bonito.

Espero que isto seja tudo apenas coincidência, que a minha paranóia desproporcionou. Espero mesmo.


In a manner of speaking
I just want to say
That I COULD NEVER FORGET THE WAY
You TOLD ME EVERYTHING
By SAYING NOTHING

In a manner of speaking
I DON'T UNDERSTAND
How LOVE IN SILENCE becomes REPRIMAND
But the way that I FEEL ABOUT YOU
Is BEYOND WORDS

Oh GIVE ME the words
Give me THE WORDS
That TELL ME NOTHING
Ohohohoh GIVE ME the words
Give me THE WORDS
That TELL ME EVERYTHING

In a manner of speaking
SEMANTICS WON'T DO
In this life that we live we only MAKE DO
And THE WAY THAT WE FEEL
Might have to be SACRIFIED

So in a manner of speaking
I just WANT TO SAY
That JUST LIKE YOU I SHOULD FIND A WAY
TO TELL YOU EVERYTHING
BY SAYING NOTHING

...

Ouvi num blog vizinho e não me sai da cabeça. Por isso veio aqui parar, e ao iPod também acompanhada de mais umas do mesmo grupo. Feliz coincidência. Há coisas assim.

T(r)emores


Parece que sufoco das palavras que quero tirar de mim. Parece que pesam. Adormeço e acordo a compôr frases na minha cabeça. Escrevo coisas soltas por todo o lado e a toda a hora. Mais de metade deito fora. Viciei-me na escrita que me dá uma sensação de apaziguamento no imediato. Mal está escrito, tenho uma urgência demente em publicar, mas ainda assim há coisas que ao reler não consigo. E depois é tanto que não tenho remédio se não guardar uma parte.

É um vómito da minha alma. Depois às vezes a ressaca é má, doi o estômago. É melhor nas vezes em que me clarifica, ilumina, solta e orienta. E mesmo assim, continuo atormentada pela necessidade de escrever ainda mais, de escrever tudo. Tenho de chegar ao fundo deste poço e hoje estou de novo a espreitar o poço, com medo de cair lá dentro, na antecipação de mais um embate. Ele está lá no fundo, mas no horizonte deste dia. Tremo e temo. Tremem-me as palavras. Estou um bocadinho desfocada, a verdade está esfumada. Se calhar é o carrossel a rodar um bocadinho mais depressa. Não consigo acreditar no que publiquei ontem à noite e no que escrevi há pouco, que não consigo deixar escorrer para aqui, mas que não consigo deitar fora.

Do que tenho escrito, no visto aqui e no escondido, estão afirmações tão contraditórias quanto o que sinto, que me mostram claramente como me perdi, muitas vezes na ilusão de saber perfeitamente o caminho. Os "quero mas não quero", "posso mas não consigo", "sim, mas também"... E questões pertinentes levantadas por linhas aqui e noutras paragens partilhadas fazem-me repensar algumas coisas que escrevi, porque senti, ou porque decidi. Olhar para o fundo do poço numa atracção quase fatal. E medo de cair.

Confuso? É. Quanto tempo temos de dar ao sonho? Vale mais o que sentimos ou o que decidimos? Até quando devemos deixar a esperança alagar-nos? Sabemos ver quando estamos afogados nela ainda a tempo de nos salvarmos? De que vale o tempo contado no calendário face à possibilidade de realizar um sonho num futuro qualquer? O "já" é tão redutor... O "nunca" é que é final e essa é a palavra que ainda não ouvi, nem li, nem escrevi - só cheguei lá perto na poesia e doeu. É a palavra que temo demais ouvir e dizer, ler ou escrever, que me faz a voz e a mão tremer.

Hoje estou confusa, assustada, à procura de todas as partículas da minha coragem para não fugir, porque sei que não há fuga possível. Seria ilusório pensar que não ver, não ouvir, não cheirar resolveriam a minha tormenta. Mas ver, e ouvir e cheirar pode resolver, pode até apaziguar. Pode dar-me o "nunca". Mas a dúvida é qual será o impacto, como e quando e se. E medo do tamanho da cratera que pode resultar daí. Sinto-me encurralada entre dois eus de mim. E entre o que é meu e o que está fora de mim. Penalizo-me, porque fui desafiar as bestas dos outros ainda sem domar a minha. E ela acordou de novo e mordeu-me.

Estou aqui

É vê-lo, e venho sempre aqui parar.
Amanhã tenho de andar e não sei para que lado vou.
Depois contarei por qual dos caminhos a dúvida ou ele me levou.
Espero. Escuto. Por ele. O meu coração. Luto, ou continuo o luto?
Quero andar. Para a frente ou para trás? É a minha vez.
Mas preciso da palavra, sonora e clara, de uma vez.

Sinais contraditórios


Às vezes vivemos um conflito turtuoso entre o que sentimos e o que pensamos. Não há receita para resolver isto. Mas acho que devemos descobrir de “onde” vem realmente esse conflito – quer a vontade do sentimento, quer o sentido da razão. E devemos procurar formas de nos protegermos, mesmo que para isso tenhamos de fazer o que nos dói mais. Mas é tremendo não saber aquilo que realmente o nosso “eu” quer. Porque o nosso “eu” quer coisas distintas, quer mas não quer, quer assim e quer assado, gera ele próprio o conflito.

E pior quando os outros alimentam o conflito, e nos dizem também “quero mas não quero”. Expressões óbvias de desejo, de ternura, de vontade, seguidas de fugas, à criação de uma esfera de intimidade não física, de outros momentos, ou um travão accionado não se percebe de onde, que nos afasta de repente. Isto causa desgosto, deixa ressentimentos, curto-circuita a nossa alma, e grita-nos que nos protejamos.

Sempre acreditei que era destino, que estava escrito. Só que num daqueles romances de três quilos em que os protagonistas se desencontram em mais de metade do livro, mas que acabam a viver felizes para sempre – quem sabe a subir e descer o mesmo rio, num mundo à parte, no fim do tempo. Pois é – conto de fadas, de Princesa Encantada...

É verdade: queria ser “Princesa”, queria ser especial. E sim, aceitar que não sou “Princesa” ou especial, que não é a mágica do Amor, de certa forma, ameaça a minha integridade. Por isso é que acredito que tenho o direito de não aceitar este caminho. Tenho de me dar o mérito de saber ser eu a não escolher a estrada, mesmo que custe tanto, para me preservar e não abdicar do que é fundamental, essência, caroço de mim. Um dia serei Princesa Encantada. Por agora, continuo desencantada, mas Princesa, ainda assim, Princesa.

Não posso “desapaixonar-me” por artes mágicas – a mágica só funciona num sentido. Mas não posso continuar a tentar advinhar respostas, a decifrar sinais. Não posso mudar o tempo dele, não posso resolver-lhe os conflitos. E se é apenas químico-física, estou fora. Não é por aí que quero ir, nem com ele nem com ninguém, porque não acredito que possa ser sustento de nada sólido e duradouro. Seja o que fôr e como fôr, não é dele o mesmo que é de mim. Assim, não vale a pena arriscar. E alguém me pergunta: “ e se afinal estiveres a ler os sinais errados?”. E lá fico com pano para mangas para mais uma insónia, provavelmente o próximo post.

Fico a pensar se serei suficientemente forte para tirar do pensamento e do sentimento o que já resolvi tirar da vida, se sou suficientemente forte para não olhar para trás. Para fazer o corte limpo, estancar a hemorragia, desinfectar a ferida e fechá-la. Já decidi que ele não é o caminho, mas ainda estou a vê-lo, ao caminho, num raio duma tentação difícil, sobretudo porque ele lá pôs tanto sinal, que eu vejo contraditório. Tento ignorar os sinais e tento encontrar em mim mesma a direcção a seguir. Mas fico pendurada na incerteza da resposta a dar à pergunta desse alguém. Talvez ainda uma vã esperança de que alguma coisa fará os sinais fazerem sentido de repente, e que de alguma forma ele ainda me me pode ir buscar à encruzilhada.

Mas pergunto-me também - quererei ir com ele se assim fôr? Até que ponto conta mais o que se intenciona do que o que se percebe? Até que ponto podemos racionalizar o que sentimos, em face da lógica do outro, que mesmo que explicada, não é a nossa?

E estou cansada, estou farta de voltar atrás, sempre na promessa velada da clarificação a encher-me de certezas inúteis, e depois encontrar a mesma incerteza absoluta de sempre, a ficar cada vez mais baralhada, mais perdida, mais sofrida. Não vale mesmo.