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Mãos. Assim. Minhas. Queria.




Ou como no poema de Sophia :


"Côncavas de ter
Longas de desejo
Frescas de abandono
Consumidas de espanto
Inquietas de tocar e não prender."

Nas malhas da rede


Nascemos envoltos pelas malhas dos que nos circundam e sustentam. A malha da nossa rede, aconchegante e segura a princípio, vai-se esticando, entendendo, alargando o nosso mundo à medida dos que abraçamos. Mas a rede não é sempre segura, nem sempre ampara a queda, por vezes enreda-nos, prende-nos no emaranhado que cria à nossa volta, ou larga-nos desavisados, tombados de um buraco, uma fragilidade da rede que não vimos nem esperamos, onde o abraço afinal não chega.

E então, as desilusões, as decepções, o acordar para a triste realidade de que nem todos são o que aparentam, alguns não sentem o que dizem sentir, nem sempre a rede nos sustenta, o desencanto faz-nos dar razão ao ditado do "mais vale só que mal acompanhado". Começam a cortar-se laços, a reduzir a rede, e com o tempo ganha-se à vontade para, e vontade de, reduzir cada vez mais. Até ser exígua a rede, de malha apertada, que não nos segura – antes nos prende, enredados em nós próprios, sem espaço de humanidade. Solitários, cortados os laços, minadas as pontes, fechada a rede na curta distância do seguro, na ilusão de que só até ali chega o abraço; e tristes, sentindo a falta dos outros. 


"Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo."
Antoine de Saint-Exupéry.

Nas curvas


Volta não volta, temos de pensar no que queremos da vida. Há umas curvas manhosas em todos os caminhos e a mim parece-me que, embora a tendência seja acelerar e fazê-las prego a fundo, nem que seja um bocadinho em contramão, armando-nos de valentia (ou será inconsciência?), a seguir convém travar e até, se necessário, encostar na berma e respirar. E depois pensar para onde vamos, para quando metermos de novo a primeira o podermos fazer com maior tranquilidade.

O que eu quero da minha vida é um mistério. A sério. Não é só a estrada e a próxima curva que me são desconhecidas. É mesmo o destino que eu ainda não consegui perceber onde quero marcar no mapa, que parece, em dias, que não é visível a um par de olhos apenas. Há dias em que acho que o que quero é viver tranquila, dedicando-me ao trabalho, desfrutando do meu filho quando posso, e aprendendo a encontrar uma definição qualquer de felicidade que possa rimar com sozinha, mas que não rime com solidão. Outros dias, acho que o quero é mesmo provar possível que nunca é tarde para encontrar o amor, e aprender a ser feliz com essa companhia, redefinindo a família que agora é só o meu filho, e perspectivando todo o resto que agora é só o que tenho, que me faz falta, me segura como tábua de salvação, mas que ainda assim é pouco, é parco, e sabe a insatisfação.

No fundo, eu tento, juro que tento, encontrar formas e razões para dissociar felicidade de amor. Posso escrever ensaios cheios de lógica, encher-me de razões, mas depois, fala mais alto aquele aperto, aquela pequena angústia relegada para um cantinho da alma, mas exactamente aquele canto que mais dói, que me questiona todos os dias se algum dia encontro, realmente, alguém que eu queira como companhia de viagem e que, mais que olhar para mim, queira olhar comigo para o mesmo destino, marcá-lo no mapa e, então, meter a primeira, sem saber o desenho das próximas curvas, mas sabendo bem para onde queremos ir.

Acho que, afinal, ainda estou para as curvas...

A regressar


Parece que voltei. É: parece mesmo.

Para já, a primeira missão é redefinir o nick e perceber o porquê do regresso. Ou vice-versa, talvez.