"Destilar", cientificamente, é "separar componentes químicos que constituem uma substância através de vaporização seguida de condensação". Serve para muita coisa, nomeadamente, para produzir bebidas espirituosas. Aqui, é uma tentativa de purificação da mistura de tudo o que sinto, penso e vivo. A aguardente do que sou.
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Um desejo para 2011
Se é para desejar e dar espaço à magia, então quero que 2011 me traga um Príncipe. Sim, um Príncipe à séria, não vou gastar o meu desejo a pedir um homem normal. A poder escolher, é claro que escolho o Príncipe, e pegunto-me que mulher escolheria o contrário. Esse Príncipe é – claro – o homem perfeito para mim. Ou seja, um homem inteligente, com sentido de humor, bonito, resolvido, atencioso e carinhoso, e já agora rico e com bom gosto. Mas “Homem”! E que queira uma Princesa como eu, é claro, portanto que seja mais modesto no seu desejo e menos exigente na sua definição de mulher perfeita.
Distracções Fatais
Se há coisa que não se pode contornar, é o click, ou a falta dele. Podem chamar-lhe também atracção, química ou simplesmente tesão. Mas é impossível de ultrapassar. Ou há, ou não há, tão simples e definitivo quanto isso. Agora, logicamente também não ajuda um relato pormenorizado de uma qualquer maleita dermatológica oculta, assim sem mais nem menos, logo num dos primeiros encontros. E se já é mau ouvir tal confidência sem denotar na expressão o nojo que tal causa, de tal forma em esforço por não ouvir muito, para manter a compostura, que mal se fixa o nome da maleita, pior ainda se o recambolesco episódio se dá durante uma refeição. Mas uma senhora não desarma. Mal se come a partir desse momento, e o pouco que se mastiga é para dar folga ao músculos faciais (em total tensão para tentar manter o semblante inalterado com o esboço possível de sorriso), e evita-se muito contacto visual depois, para não vomitar logo ali. Cenas da minha vida que, não fora eu agnóstica, me levariam a exclamar um “Senhor, tende piedade!”, e a cumprir longa penitência para expiar os meus pecados, que são muitos, eu sei, mas nenhum também assim essa coisa toda que merecesse estas provações.
Another one bites the dust.
O Grande Melga
Não gosto, mas não gosto mesmo, de melgas. Já escrevi algures por aqui (mas também não gosto, não suporto mesmo, os “toca e foge”, e disso falo noutro dia em que esteja para aí virada). Esta coisa da melguice, no entanto, tem muito que se lhe diga e fez-me inclusive redefinir uma máxima que tinha e usava, convicta de que era um óptimo teste de aferição de interesse (mas isso também deixo para outro dia).
Ora, por partes: um homem que é melga é simplesmente um chato. Se não for o Herman, não se aguenta, ponto final. Este é o homem que insiste mesmo quando já dissemos de vinte maneiras diferentes que não estamos nem aí, a quem já recusamos vários convites, a quem não atendemos o telefone mais de metade das vezes, a quem não respondemos à maioria das sms, etc. Também há os persistentes e, convenhamos, sem um pouco de persistência realmente não vão a lado nenhum, porque mesmo que haja interesse do lado feminino, há geralmente um tempinho de espera obrigatório que é, nem mais nem menos, o primeiro teste que as mulheres fazem para perceber se eles querem “mesmo”. A linha é ténue, muito ténue, e hoje houve um dessa raça que, não obtendo resposta ao segundo convite para ir tomar um café, e não tendo obtido o meu número de telemóvel em troca do dele, resolve nada mais nada menos do que procurar o número do meu escritório na internet e ligar-me para o trabalho! O que ele não percebeu é que, se até aqui estava no respeitoso limbo da persistência, enquanto eu me decidia se queria ou não dar mais conversa para além do Facebook e dos ocasionais encontros acidentais por essa noite lisboeta, com esta habilidade passou para o campo dos melgas. Sobretudo quando, não contente por me ter feito passar uma vergonha no escritório, (que toda a gente percebeu o que se passou com aquele telefonema), não me dá hipótese e vai daí apanha-me à porta do escritório para almoçar... Agora tenho que pensar que Dum-Dum vou usar neste, antes que passe para a categoria dos emplastros, ou mesmo dos doidos varridos.
Só me calham duques...
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