Na minha habitual conflituosidade interior, tanto me dá para defender que todos somos donos do nosso destino, como me dá para acreditar que somos apenas marionetas de estranha vontade alheia. Certo é que, por mais que queiramos, deparamo-nos na vida com coisas que não escolhemos. Outras são escolhas, às vezes acertadas, às vezes nem por isso, mas produto do nosso livre arbítrio. Curioso, no entanto, que dessas que me têm calhado em sorte e azar, quase todas parecem ter como que um desígneo de desafio, com toques de maldadezinha muitas vezes, coisas que põem dedos em feridas, ou os apontam aos meus defeitos e falhas, ou me empurram até ao limite. O livre arbítrio, nestes casos, serve-me para decidir ignorá-las ou lidar com elas, sendo certo, no entanto, que de uma forma ou de outra, não tenho escolha senão a de viver com elas. Até em fuga escolhida somos reféns do que não escolhemos, até em fuga carregamos com aquilo de que fugimos. E pesa.
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